O que é planejamento agregado de produção?
Planejamento agregado da produção (em inglês, Aggregate Production Planning — APP) é a decisão de volume e mix em nível agregado: famílias, linhas ou unidades equivalentes de capacidade, em períodos como semanas ou meses — sem ainda explodir cada SKU no MRP.
Objetivo: alinhar demanda prevista, política de estoque e capacidade disponível (mão de obra, máquinas, turnos) antes de comprometer detalhes. Veja também planejamento de produção, planejamento da produção e MRP o que é.
Onde o agregado se encaixa no PCP
Pense em camadas de horizonte e detalhe:
- Longo prazo — Investimentos, layout, contratos (fora do APP típico).
- Planejamento agregado — Volume por família/linha, turnos extras, terceirização ou estoque sazonal.
- Plano mestre (MPS) — Quantidade por produto ou SKU no horizonte curto/médio.
- MRP — Materiais, compras e ordens de produção detalhadas.
- Programação — Sequência diária no chão de fábrica (programação e PCP).
Estratégias comuns no planejamento agregado
Perseguir demanda
Ajusta produção período a período conforme vendas — flexível, mas pode oscilar custo e pessoal.
Nivelar produção
Taxa estável de output; estoque absorve sazonalidade — comum em make-to-stock.
Estoque sazonal
Produz antes da alta demanda; reduz pico de capacidade no pico de vendas.
Flexibilidade de recursos
Horas extras, turnos, terceiros ou redistribuição entre linhas.
Entradas e saídas do plano agregado
Entradas
- Previsão de demanda ou carteira de pedidos (agregada)
- Capacidade por linha ou centro (horas/máquina)
- Estoque atual de PA e políticas alvo
- Restrições: mão de obra, fornecedores críticos, sazonalidade
Saídas
- Plano de produção agregado por período
- Decisões sobre estoque, horas extras ou terceirização
- Base para desdobrar o MPS por SKU
- Alertas de gap de capacidade antes do MRP rodar
Exemplo didático (simplificado)
Uma fábrica de móveis agrupa produtos em família “mesas” e família “cadeiras”. A demanda agregada para o trimestre indica pico em cadeiras. No planejamento agregado, PCP decide:
- Manter mesas em taxa nivelada e antecipar estoque de cadeiras, ou
- Abrir turno extra na linha de cadeiras por 4 semanas, ou
- Subcontratar estofamento no pico.
Só depois disso o MPS define SKUs e o MRP calcula madeira, parafusos e estofado.
Quando o planejamento agregado faz diferença na fábrica
Vale investir tempo no agregado quando você reconhece estes sinais — comuns em PMEs de transformação:
- Muitos SKUs, mas poucas famílias de produção (linhas ou células)
- Capacidade limitada em um ou dois centros (gargalo conhecido)
- Comercial promete prazo sem consultar PCP — surpresa de fila todo mês
- Decisão entre estoque, hora extra e terceirização feita “no feeling”
Com dados no ERP (planejamento de produção, histórico de pedidos, capacidade cadastrada), a reunião S&OP deixa de ser só planilha e vira base para MPS/MRP no sistema.
ERP e planejamento agregado na prática
PMEs muitas vezes fazem o “agregado” em reunião S&OP com planilha; o ganho do ERP industrial é desdobrar o acordado no sistema:
- Demanda e histórico por família ou grupo de produto
- Capacidade cadastrada por centro de trabalho
- MPS e MRP no Fabricante Pro refletindo o plano acordado
- Apontamento alimentando revisão do próximo ciclo agregado